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O Sacramento da Confirmação - I PDF Imprimir E-mail
Confirmação
Seg, 29 de Dezembro de 2008 11:13
Pe. Henrique Soares da Costa

No artigo passado terminamos nossa exposição sobre o Batismo. Vimos que neste sacramento somos mergulhados no Espírito do Cristo ressuscitado. Este Espírito nos cristifica e nos dá uma vida nova, a vida do Ressuscitado, aquela vida plena que a Escritura chama de eterna, porque é a vida do próprio Eterno, que é Deus. Também já vimos que, habitados pelo Espírito de Amor, Espírito que é o Amor do Pai e do Filho, somos feitos templos da Trindade Santa. Vamos agora tratar de um outro sacramento, o segundo dos três que constituem a iniciação cristã. Trata-se do sacramento da Confirmação.
Desde os primórdios a Igreja conhece ainda um outro sacramento, intimamente ligado ao Batismo, denominado Crisma ou Confirmação. Em que consiste este sacramento? Qual seu significado? Qual sua fundamentação bíblica? É destas questões que trataremos a partir de agora.

Comecemos com o Catecismo da Igreja Católica, que ensina: ”A Confirmação aperfeiçoa a graça batismal; é o sacramento que dá o Espírito Santo para enraizar-se mais profundamente na filiação divina, incorporar-nos mais firmemente a Cristo, tornar mais sólida a nossa vinculação com a Igreja, associar-nos mais à sua missão e ajudar-nos a dar testemunho da fé cristã pela palavra, acompanhada das obras”. Vale a pena, antes de mais nada, analisar estas palavras acima.
São ditas duas coisas importantes a respeito da Confirmação: ela aperfeiçoa a graça batismal e é o sacramento que dá o Espírito Santo. Ora, será que a graça batismal é imperfeita? Mais ainda: o Batismo já não nos deu o Espírito? Não é no Espírito do Cristo ressuscitado que fomos mergulhados no santo Batismo? Além do mais, como já expliquei na introdução aos sacramentos, todo e cada sacramento nos dá o Espírito Santo e somente no Espírito pode haver sacramento! Então, como compreender estas afirmações do Catecismo?

Afirma-se que a Crisma aperfeiçoa a graça batismal no sentido de torná-la madura, plenamente desenvolvida. Vejamos bem. No Batismo nós recebemos o Espírito do Cristo ressuscitado; ele nos é dado como vida divina, vida nova, vida eterna que faz de nós uma nova criatura. Procure reler tudo quanto dissemos sobre isso ao expor o sacramento do Batismo. Ora, esta vida não é algo estático, parado, congelado; como toda vida, ela vai crescendo sempre mais em nós, vai nos configurando cada vez mais ao Cristo Jesus. O sacramento da Confirmação é o sacramento que leva esta vida recebida no Batismo à sua maturidade. Na Crisma o Espírito que nos tinha sido dado como vida, nos é dado como força divina, força que nos dá a capacidade de testemunhar Jesus, de anunciar o Evangelho e assumir ativamente nosso lugar na Comunidade eclesial. Por isso mesmo diz-se que a Confirmação confirma o Batismo! Não é que este seja incompleto e necessite ser completado; o sentido é outro: a Confirmação nos dá a graça da maturidade cristã, de tal modo que a vida nova recebida no Batismo pode e deve agora, com a Crisma, ser testemunhada e transbordada para os outros com a graça deste sacramento. Em outras palavras: enquanto no Batismo a vida recebida é graça que nos renova e transforma, na Confirmação esta mesma vida é dom que devemos testemunhar e partilhar! Por isso mesmo o crismado deve estar consciente do seu lugar na Comunidade eclesial e do seu dever de testemunhar o Cristo sendo, como se diz, um soldado de Cristo!

Aqui convém eliminar logo um mal entendido. Em geral se afirma que a Confirmação é o sacramento da maturidade cristã e confirma o Batismo porque recebemos este quando criancinha e aquele quando jovem que já sabe o que quer. Não é bem assim! A maturidade que a Crisma nos dá não é a maturidade psicológica; é a maturidade espiritual. Em outras palavras: se uma criancinha for batizada e crismada seu “organismo espiritual”, sua estrutura cristã já recebeu a maturidade!

Então, que fique bem claro: a Confirmação nos concede uma graça distinta do Batismo. Sem este sacramento não há maturidade na vida cristã! Por isso mesmo, rigorosamente falando, todo aquele que assume qualquer trabalho na Comunidade deve ser crismado!

Há ainda uma outra distinção importante no modo de agir do Espírito no Batismo e na Confirmação. No Batismo o Espírito nos é dado como Espírito que tornam o Pai e o Filho presentes em nós, fazendo-nos, assim, templos da Trindade. Na Confirmação, ao invés, o Espírito dá-nos algo que é próprio dele como Terceira Pessoa da Trindade: a força, a coragem, o ânimo, o vigor, a doçura para testemunhar o Senhor Jesus. A fé da Igreja exprimiu isso muito bem com a imagem dos dons do Espírito!

Agora podemos entender porque o Catecismo fala, no texto acima citado, numa mais profunda incorporação a Cristo: é que com a Confirmação o Espírito nos une ao Cristo na sua missão de sacerdote, profeta e rei, para que nós sejamos na Comunidade eclesial e no mundo continuadores de sua missão. Releia o texto do Catecismo que citei acima. Agora penso que tenha ficado bem claro.
No próximo artigo continuaremos. Há muita coisa ainda a explicar sobre este sacramento. É necessário ainda fundamentá-lo biblicamente. Até lá!

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