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Que líderes para o País? PDF Imprimir E-mail
Artigos
Sáb, 27 de Dezembro de 2008 11:57

Côn. Henrique Soares da Costa

Nos Estados Unidos, se um líder político não for um bom esposo ou esposa, um bom pai ou boa mãe, o povo leva em conta sua falta e o reprova nas urnas. A vida privada dos líderes interessa ao povo, porque se considera que o que uma pessoa é privadamente revela o que será no trato da coisa pública. Além do mais, um líder é sempre um espelho, um paradigma para o povo que por ele é liderado.

Para o nosso gosto latino-americano, de moral bem mais frouxa e tolerância bem mais elástica, não é tão importante a moralidade e retidão privada, familiar dos nossos líderes; basta que eles sejam bons administradores e honestos no trato da coisa pública, da “res publica”...

Penso que os estadunidenses estão mais certos que nós, ao olharem a vida privada de seus líderes. Primeiro, porque é a mesma pessoa que age e se revela seja no âmbito público seja no privado, de modo que, se é verdade que as duas esferas ao se confundem, tampouco podem ser separadas. Mas, acima de tudo há a questão do exemplo, do paradigma, do modelo que um líder deve ser para o seu povo.

Vejamos o Brasil. Com surpresa, indignação e pesar, assiste-se ao rosário de escândalos envolvendo as figuras mais altas da República. No Judiciário, recentes decisões do Supremo Tribunal Federal não convencem quanto à lisura e a imparcialidade que deveriam nortear uma corte de justiça; no Legislativo, a desmoralização é total: mensaleiros são absolvidos sucessivamente, mostrando com clareza meridiana que sujos e corruptos são os absolvidos, os que absolveram e os que dançaram festivamente, celebrando a vitória da impunidade; no Executivo, todo o antigo “núcleo duro” do atual Governo, amoleceu ante as propinas, imoralidades e tráficos de influência, e o Presidente aparece claramente conivente com toda essa sujeira sendo, no mínimo, omisso e absolutamente incompetente.

A democracia é um processo de aprendizado. Tomara que chegue o tempo em que o povo, ao eleger seus líderes, além das perguntas que já faz sobre seu passado e presente políticos, comece a perguntar também por algumas características pessoais dos seus candidatos: Como vive na vida privada? É fiel à família? É estável nas suas relações? Possui valores morais? É religioso e fiel aos princípios de sua religião? Gerencia com retidão seus próprios bens?

Não sei você, caro e paciente leitor meu, mas eu mesmo já não suporto mais tanta picaretagem, tanta cara de pau, tanta gente sem o mínimo de retidão de consciência. Consciência - eis algo profundamente inerente ao ser humano, sede última da sua dignidade, tão ausente em tantíssimos de nossos governantes! Muitos haverão de achar estas minhas idéias uma baboseira moralista. Quanto a mim, cada vez mais me convenço que é necessário olhar, sim, esta dimensão privada da vida dos homens públicos. Em muitos, falta mesmo é formação humana e doméstica que nos dá o senso de vergonha na cara. Como está é que não dá para continuar. Estejamos atentos, antes que o povo se canse da democracia. Seria muito triste.
 

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