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Solenidade da Imaculada Conceição - I PDF Imprimir E-mail
Festas e Solenidades
Dom, 17 de Maio de 2009 00:37

Gn 3,9-15.20
Sl 97
Ef 1,3-6.11-12
Lc 1,26-38

 

            O tempo do Advento tem, sem dúvida alguma, um sabor mariano. É com a Virgem que melhor aprendemos como esperar o Sol que nasce da Aurora, o Cristo, nosso Deus! Por isso, é muito conveniente celebrar hoje a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, a Virgem.

 

            O que a Igreja crê e celebra neste mistério? A Escritura Santa nos ensina que a humanidade fora criada por Deus para a comunhão com ele, para ser feliz convivendo com ele, com ele construindo a vida e o mundo. Mas, infelizmente, desde o início da história humana e até hoje, nossa raça foi dizendo “não” ao sonho de Deus: quisemos e queremos ainda ser como deuses, conhecedores do bem e do mal (cf. Gn 3,4s); queremos viver a vida de modo autônomo, como se a existência fosse nossa e não um dom recebido de Deus. Se não dizemos, pensamos muitas vezes: a vida é minha; faço como eu quero! O resultado dessa atitude tem sido trágico: tornamo-nos uma humanidade ferida, esfacelada, num mundo também ferido e esfacelado. Somos todos presa de um enorme fechamento para Deus, uma desconfiança nele, uma tendência de não percebê-lo... por isso, somos profundamente desequilibrados no nosso modo de nos ver, de ver a vida, de nos relacionar com os outros e com o mundo. Somos um poço de contradições, de paixões, de anseios desencontrados e sentimentos muitas vezes destrutivos... Somos, pois, profundamente feridos; feridos de morte, feridos até a morte! É esta situação miserável que a Igreja denomina “pecado original”, pecado que já nos marca desde o primeiro momento de nossa existência: “Minha mãe já concebeu-me pecador” (Sl 50,7). É desta situação miserável, sem saída, que Cristo nos arranca com a sua encarnação, sua vida, sua morte e ressurreição, com o dom do seu Espírito: “Todos pecaram e estão privados da glória de Deus e são justificados gratuitamente em virtude da redenção realizada por Jesus Cristo” (Rm 3,23s). 

            Pois bem, a Igreja crê firmemente que a Toda Santa Virgem Maria, desde o primeiro momento em que foi concebida no seio de sua mãe, foi preservada por Deus desta solidariedade com esta situação de pecado. Nós, já nascemos marcados de morte; ela, desta marca de pecado foi preservada; nós, precisamos ser arrancados da lama do pecado graças à cruz do Cristo; ela, pela cruz do Cristo foi liberta desde a origem e sequer foi tocada por esta lama maldita; nós fomos redimidos porque lavados desta lama, ela, foi ainda mais perfeitamente redimida porque, pelos méritos da Paixão do Senhor, sequer experimentou esta situação de pecaminosidade. Desde o ventre materno, desde o primeiro instante de sua concepção, o Senhor a libertou, graças aos méritos de Cristo. Ela, a Virgem, pode ser chamada Toda Santa, isto é, Toda Santificada, ela pode cantar as palavras da profecia de Isaías: “Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me vestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias!” 

            A Igreja crê nesta Concepção Imaculada da Mãe de Jesus e com ela se alegra. E crê fundamentada na Escritura Sagrada. Não á a Palavra de Deus que afirma que o Senhor colocou uma inimizade de morte entre a Serpente e a Mulher, entre a descendência de Serpente e a da Mulher? Quem é esta Mulher? Não é aquela a quem Jesus chama Mulher em Caná e ao pé da cruz? Não é aquela de quem São Paulo diz: “Quando chegou a plenitude dos tempos, enviou Deus o seu Filho nascido de Mulher? Como, pois, poderia estar sob o domínio do pecado, fruto da serpente, a Mulher de quem nasceria o Cordeiro sem mancha, que tira o pecado do mundo? Estejamos atentos ainda no modo como Gabriel saudou a Virgem, no Evangelho: ele lhe muda o nome! Não diz”: alegra-te, Maria!”, mas “Alegra-te, Cheia de Graça!” Cheia de graça, kecharitomene, do verbo charitô, agraciar. Alegra-te, ó Toda Cumulada Pela Graça, Alegra-te, ó Mar de Graça, ó possuída totalmente pela graça! Em ti, Virgem Maria, não há o mínimo lugar, a mínima brecha para a “des-graça” do pecado! – É isto que significam as palavras de Gabriel! Podem crer: Deus juntou toda água um dia e chamou de mar; Deus juntou toda graça outro dia... e chamou Maria! 

            A Virgem não é dona da graça; ela a recebeu totalmente. A Virgem não é imaculada por seus próprios méritos, mas pelos méritos daquele que, nascido de suas entranhas benditas, venceu a antiga Serpente e destruiu o antigo Inimigo. Observemos que esta idéia aparece na segunda leitura da Missa desta solenidade. O que diz o Apóstolo? O Pai “nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. Ele nos predestinou... por intermédio de Jesus Cristo (Ef 1,4s). Se todos somos fruto de um sonho eterno de Deus, se todos somos predestinados em Cristo desde antes da fundação do mundo, se o Senhor conheceu nossos dias antes mesmo que um só deles existisse, pois bem: em Cristo, Deus, o Pai, preservou a Mãe do seu Filho do pecado, graças ao seu Filho! Que nossos irmãos protestantes se alegrem conosco pela Imaculada Conceição de Maria: ela é bíblica, ela exalta enormemente a grandeza abundante da graça de Cristo, único Salvador! São Paulo diz que “todos pecaram e estão privados da glória de Deus”; assim estaria a Virgem sem a graça de Cristo; mas, disso foi libertada no primeiro momento de sua existência, graças a Cristo! 

            Esta é a beleza desta festa: o triunfo da graça, celebrar a graça de Cristo que age antes mesmo do nascimento histórico de Cristo! Que graça tão grande, que Salvador tão potente, que Deus tão previdente! E para nós, que alegria contemplar o mistério, vislumbrar o mistério, mergulhar no mistério! Hoje, a Virgem foi concebida livre do pecado; hoje, começou a raiar a Aurora do Dia sem fim; hoje surgiu a puríssima Estrela d’Alva que anuncia o Sol, que é o Cristo, nosso Deus! A Igreja, exultante de alegria, tem palavras lindas na celebração litúrgica deste hoje. No Ofício Divino, ela assim se dirige à Virgem Toda Santa: “Com a vossa Imaculada Conceição, Virgem Maria, um anúncio de alegria percorreu o mundo inteiro” e, mais adiante, no Ofício, continua, admirada: “Toda bela sois, Virgem Maria, sem mancha original! Sois a glória de Sião, a alegria de Israel e a flor da humanidade”. E, imaginando a resposta da Virgem, coloca nos seus lábios estas palavras que ela dirige ao Senhor: “Foi nisto que eu vi, porque vós me escolhestes! Porque não triunfou sobre mim o inimigo, porque vós me escolhestes!” Isso mesmo: mais que ninguém, a Virgem é devedora a Cristo: ele a escolheu, ele a preservou, ele a sustentou, ele teve por ela uma predileção inigualável! 

            Alegremo-nos nós também! Em Cristo, o pecado pode ser vencido! A Conceição Imaculada de Maria é sinal belíssimo desta vitória! Alegremo-nos, porque a Imaculada Conceição de Nossa Senhora é o feliz princípio e o primeiro albor da salvação que o Senhor Jesus nos traz! Bendita seja a cruz de Jesus, que antes de ser fincada no Calvário, já libertou com seus raios a Virgem de todo pecado! A Jesus, fruto bendito, do bendito ventre da bendita Virgem Maria, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

 

Solenidade da Imaculada Conceição – II

               

                  A Imaculada Conceição da Virgem Maria – é este o mistério que neste dia celebramos. Hoje, a Virgem foi concebida no ventre de Ana, sua mãe. Mas, que tem isso de mistério? É verdade que toda vida que brota é um mistério; é verdade que todo feto, desde o primeiro momento de sua existência, seja são ou defeituoso, é já uma vida humana e, portanto, um milagre de Deus, um sorriso de Deus, um presente de Deus – apesar dos monstros de hoje, dessa humanidade desalmada e sem Deus, desejarem tanto negar a dignidade da vida humana desde o seu primeiro momento...Se é assim, se cada concepção neste mundo é um mistério, o que tem de extraordinário a concepção daquela que será a Mãe do Cristo-Deus? Eis o mistério, eis a novidade, eis o extraordinário: no momento mesmo em que Ana, idosa e estéril, concebeu a Virgem Santa, ela, por ser destinada a ser a Mãe do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, foi preservada da mancha do pecado original. Em outras palavras: a Virgem Maria, desde o primeiro momento de sua existência no ventre materno, foi preservada daquela marca negativa, de fechamento e desarmonia, que mancha e fere a nossa natureza humana. Portanto, a ela, e só a ela, o Senhor pode exclamar, com as palavras do Cântico dos Cânticos: “Como és bela, minha amada, como és bela! És toda bela, minha amada, e não tens um só defeito!” (4,1.7). Que o Senhor Deus exclame assim! Que a Mãe Igreja cante assim! Que a humanidade exulte assim!

                 A Igreja desde muito cedo foi compreendendo sempre mais este mistério da Imaculada Concepção de Nossa Senhora: ela, a Virgem, fora preservada do pecado graças aos méritos do Cristo, que com sua paixão, morte e ressurreição nos libertou do pecado. Como diz São Paulo aos Romanos: “Todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus e são justificados gratuitamente por sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus” (3,23s). Com efeito, sem Jesus, sem a cruz que Deus já sabia que aconteceria, a Virgem seria tão pecadora quanto todo o resto da humanidade! Mas, a mesma cruz de Cristo que nos arrancou da lama, sequer permitiu que a Mãe do Cordeiro Imaculado pela lama fosse tocada! Que grande providência de Deus! Que amorosa sabedoria! Nossa Senhora, mais que todos nós, pode e deve cantar as palavras do Profeta: “Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias!” (Is 61,10). Nossa Senhora, de sorriso escancarado, pode erguer o olhar para o Senhor e exclamar: “Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes, e não deixastes rir de mim meus inimigos!” (Sl 29,2) Em Maria começou a manifestar-se a vitória de Cristo contra o Inimigo da nossa raça humana...

                 Se pensarmos bem, veremos que este mistério deita suas raízes na antiguidade, nos primórdios do sonho de Deus. A primeira leitura, do Livro do Gênesis, nos diz que, quando toda a humanidade foi marcada pelo pecado, pelo “não” a Deus – esse “não” no qual todos nós já nascemos e que tantas e tantas vezes vamos dizendo e aprofundando -, o Senhor prometeu uma inimizade entre Satanás e a Mulher, entre a descendência de Satanás e a da Mulher: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. Eis, que mistério tão grande: uma queda, uma miséria, uma misericórdia, uma inimizade, uma promessa! E, desde então, toda a história da humanidade, todo o caminho de Israel, todo o Antigo Testamento, foram um correr para essa promessa, um esperar por esse cumprimento tão santo! Porque, desde o início, Deus tem um plano, e seu plano é nos enviar o Salvador, de modo que tudo quanto o Pai bendito pensa e sonha para nós, é pensando em Cristo e em função de Cristo. Escutemos o Apóstolo: “Em Cristo, Deus nos escolheu antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão de sua vontade!” Se Deus tudo pensou para nós em Cristo, se em Cristo nos predestinou, a Igreja crê firmemente que, desde o princípio, aquela Mulher anunciada no paraíso, fora predestinada para ser a Mãe do que esmaga a Serpente, a inimiga de Satanás, aquela que não trem nenhuma amizade com o pecado, nenhuma convivência com a descendência da Serpente! E tudo isso, por graça de Deus em Cristo! Podemos, então, compreender o modo como Gabriel, no Evangelho, saúda Maria. Como a chama? Não diz o seu nome “Maria”, mas chama-a com um nome novo, aquele que somente Deus, que sonda os corações, poderia conhecer. Escutemos o Anjo, admiremos: “Alegra-te, ó Toda Agraciada! O Senhor é contigo!” Toda Agraciada, isto é, toda invadida, inundada pela graça, pelo favor de Deus! Na Virgem Maria não há lugar algum para a “des-graça” do pecado. Nela, em quem o Santo de Deus, o Cristo, o Santo Messias, deveria habitar, não pode, não pôde, não poderá nunca haver lugar para o pecado! Desde o primeiro momento de sua existência, a Virgem foi escolhida e predestinada para a Mãe do Salvador. Não esqueçamos a palavra da Escritura: “Em Cristo, ele nos escolheu antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor.” É este mistério que celebramos! Se Cristo é o Dia, a Virgem é a Aurora; se ele é o Sol, ela é a Estrela d’Alva; se ele é o Fruto, ela é a Flor bendita! Como é bela a solenidade deste hoje: é aurora do santo Natal! Aquele que ilumina a noite de Belém e do mundo é prenunciado pela luminosidade da Virgem Imaculada!

                  Caríssimos, vivemos num mundo cada vez mais sem graça, um mundo literalmente “des-graçado”, isso, é fechado para a graça. O grande presente de Natal neste ano que a sociedade brasileira está dando a Deus é o projeto de legalizar o aborto de fetos deficientes, é o projeto de manipular embriões humanos para pesquisas científicas imorais. As revistas, os canais de televisão, a internet estão aí, criticando e ridicularizando a Igreja por ser contra essas aberrações morais. Pois bem: neste mundo sem graça, celebrar a Imaculada Conceição da Mãe de Deus é proclamar a vitória da graça sobre o pecado, é renovar nossa certeza na força que vem da cruz e ressurreição do Senhor, que dissipa as trevas e vence o mal.

                  Ó Maria Santíssima, Virgem Imaculada desde a conceição, intercede por nós, intercede por toda a Igreja, intercede pela humanidade: que lutemos contra o pecado, do qual tu foste preservada desde o primeiro momento de tua existência! Que a força do Cristo Salvador, que não deixou o pecado te atingir, não deixe que o pecado nos vença! Ó Alegria do mundo, Estrela d’Alva, nenhuma outra como tu nos guias! És o braço do Deus Forte que nos salva, Virgem Maria! És um Raio de luz lançado à treva, para aquecer a terra fria! Imensa Aurora, a Vida em vós se encerra, Virgem Maria! Só o trono de Deus é mais sublime, que o teu trono, à luz do eterno Dia! Ó Santa Mãe da Paz que nos redime, Virgem Maria!

                   Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!

 

Solenidade da Imaculada Conceição - III

            “Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça, como a noiva ornada de suas jóias” (Is 61,10). – Estas palavras do Profeta Isaías, com toda razão a Igreja as coloca hoje na boca da Virgem Maria. De fato, estas palavras exprimem bem o mistério da Festa de hoje, a Imaculada Conceição da Toda Santa Mãe de Deus.

            Hoje, caríssimos, no ventre da velha Ana foi concebida a Virgem Maria. Que há de maravilhoso nisso? Dizem as antigas fontes cristãs que Ana era já idosa e estéril como Sara, a esposa de nosso pai Abraão, como Isabel, a esposa do velho Zacarias. Pois bem, idosa e estéril, também Ana gerou no seu ventre uma filha! É obra de Deus: onde não há vida ele faz a vida brotar; onde já não há mais futuro, ele faz o futuro acontecer! Bendito seja o nome do Senhor, Deus da vida, Senhor que nos abre a porta da esperança! Mas, o mistério da Festa de hoje, a alegria da Igreja neste dia, é por um acontecimento ainda maior, um mistério ainda mais admirável! Eis a surpresa, eis a obra estupenda do nosso Deus: esta filhinha concebida hoje no ventre da velha Ana, desde o primeiro momento de sua conceição, foi preservada por Deus de todo vínculo do pecado que pesa sobre a nossa raça. O salmista diz: “Minha mãe já concebeu-me pecador!” (Sl 50/51,7). Estas palavras não se aplicam à Virgem Maria! Desde o primeiro instante de nossa existência, todos somos marcados pela quebradura provocada pelo pecado de nossos antepassados... Não assim a Virgem Maria! Ela, desde o primeiro instante de sua existência, por pura graça de Deus, foi preservada do pecado original. O mesmo Deus que “antes da fundação do mundo no escolheu em Cristo para que fôssemos santos e irrepreensíveis sob seu olhar, no amor”, o mesmo Senhor Santo que “nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão de sua vontade”, ele mesmo, por causa do Filho Jesus e pelos méritos do Filho Jesus, o “Cordeiro sem defeitos e sem mácula, conhecido antes da fundação do mundo” (1Pd 1,19s), predestinou e preservou de toda mancha do pecado a Virgem Maria, futura mãe escolhida para o seu Filho! Assim, desde o primeiro momento de sua existência, a Virgem Maria foi revestida da justiça de Deus, foi justificada em Jesus Cristo, foi ornada de santidade como uma noiva ornada com suas jóias pelo Noivo divino! Por isso mesmo, a liturgia da Igreja coloca na boca da Virgem Santíssima as palavras do salmo 29: “Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes e não deixastes rir de mim meus inimigos!”. Com efeito, caríssimos, a todos nós o Senhor arrancou da lama do pecado pela graça da sua Páscoa. Mas, à Virgem Maria, ele sequer deixou que a lama do pecado nela tocasse! Por isso, o Arcanjo Gabriel a saúda como “Toda Agraciada”, por isso também, a própria Virgem exulta dizendo: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor!” (Lc 1,48) Meus caros em Cristo, hoje nós estamos aqui reunidos em torno do Altar sagrado para proclamar todas essas grandes coisas que o Senhor realizou em nosso favor na vida da Virgem Maria!

            É tão belo, tão significativo, agora que estamos cheios de santa ansiedade na preparação para o próximo Natal do Senhor, celebrar a Conceição Imaculada da Virgem Maria. Ela já aparece como a doce Aurora do Dia da Salvação. A sua Imaculada Conceição, o dom imenso da sua vitória sobre o pecado já prenuncia Aquele que, vindo dela, esmagará a cabeça da antiga Serpente, do inimigo da nossa raça! É por causa do Salvador, por causa daquele que tira o pecado do mundo, que a Virgem foi preservada do pecado. Deus, “a fim de preparar para o seu Filho mãe que fosse digna dele, preservou Nossa Senhora da mancha original, enriquecendo-a com a plenitude da sua graça. Puríssima, na verdade, devia ser a Virgem que nos daria o Salvador, o Cordeiro sem mancha que tira os nossos pecados!”

            Caríssimos, vivemos atualmente num mundo em que o pecado parece ter mais força que nunca! Nossa civilização cada vez mais vai voltando as costas para a luz do Cristo: descrença, humana soberba, impiedade, imoralidade, orgulho, violência, materialismo, consumismo, egoísmo, falta de solidariedade e compaixão, desrespeito pela vida humana e pelas leis de Deus – eis as marcas da nossa cultura, mais e mais transformada em “cultura de morte”. E, no entanto, não temos o direito de perder a esperança! A Festa deste hoje nos mostra e nos faz experimentar na solene Liturgia o quanto o Cristo vence a treva do pecado, vence os laços da antiga Serpente, vence as marcas da morte! A Imaculada Conceição de Maria é Aurora que nos garante que jamais as trevas vencerão o Cristo que, saído do ventre da Virgem, brilhou como luz para o mundo! Como afirmava Santo Efrém, o grande doutor da Igreja síria, Maria é o “santuário imaculado no qual Deus habitou. Maria gerou Deus, que enche o mundo de bênção e trouxe a vida ao mundo!” Por isso mesmo, diz o santo Doutor que “é grande o mistério da Virgem puríssima e supera toda língua, pois ela acolheu no seu seio o rio da vida que com as suas águas irrigou o mundo e vivificou todos os mortos!”

            Meus caros, o cristão não deve ser um iludido! Sabemos que os sinais de treva, de dor, de pecado com todas as suas tristes conseqüências marcam ainda o nosso tempo e até mesmo o nosso coração. Mas, sabemos também que o Deus nascido da Virgem é o mesmo que vence o pecado e a morte, o mesmo em quem já experimentamos a graça da salvação, o mesmo em quem nos sabemos mais que vencedores! Voltemo-nos, então, para aquela que hoje foi concebida sem pecado e, do fundo de nossa humana miséria, clamemos, com as intensas palavras da Liturgia oriental: “Bendita Mãe de Deus, abre-nos a porta da tua benevolência! Não fique desiludida a nossa confiança, que espera em ti! Livra-nos das nossas adversidades! Tu és a salvação do gênero humano! É tão grande o número dos meus pecados, ó Mãe de Deus! A ti recorro, ó Imaculada, a procura de salvação! Consola a minha alma desolada e pede ao teu Filho nosso Deus, que me conceda o perdão dos meus pecados, ó única Imaculada, única bendita! Deposito em ti toda a minha esperança, ó Mãe da Luz! Acolhe-me sob a tua proteção!”

            Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!

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Última atualização em Ter, 08 de Dezembro de 2015 18:18
 

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