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Missa da Noite do Natal do Senhor - I PDF Imprimir E-mail
Festas e Solenidades
Dom, 17 de Maio de 2009 00:36

 

Is 9,1-6
Sl 95
Tt 2,11-14
Lc 2,1-14 

            “Hoje, a Paz verdadeira desceu-nos do céu; hoje, os céus e a terra espalham doçura; hoje, raiou o dia do novo resgate de eterna alegria, há muito esperado!” – Estas palavras, a Igreja as reza por toda a terra no Ofício das Vigílias desta Noite santa. Mas, por que tanta exultação? Por que tanta luz? Por que tanta doçura, tanta ternura, tanta paz?

            Hoje, cumpriu-se as Escrituras: o Dia tão esperado brilhou no meio da noite. Hoje, “o povo, que andava na treva”, a humanidade perdida e confusa, “viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte”, para nós, que temos sempre de lutar contra tantas e tantas mortes, “uma luz resplandeceu!”. Nesta Noite, podemos comemorar, alegrarmo-nos como os que colhem depois do trabalho e do suor do plantio, porque algo inacreditável, algo que parece um sonho, um conto de fadas, nos aconteceu! Escutai, escutai: “Nasceu para nós um Menino, foi-nos dado um Filho; ele traz nos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da Paz. Grande será o seu reino e a paz não há de ter fim... a partir de agora e por todo sempre!” Eis a graça, a glória, o mistério desta Noite! Por isso a alegria: o Deus fiel cumpriu o que prometera e ultrapassou toda promessa. Nesta Noite tão santa, tão única, tão cheia de frescor, como são comoventes as palavras do Apóstolo na segunda leitura. Olhem o presépio, e escutem, olhem a manjedoura e prestem atenção: “A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade”. Olhem o presépio! Olhem o presépio: a graça de Deus é uma Criança, o Menino que nos foi dado! A graça de Deus está “envolvida em faixas e deitada numa manjedoura”. Que graça pequeninha; que graça tão grande! Que graça tão frágil; que graça tão forte! Quem é tão duro de coração, que não se comova? Quem é tão desumano, que não se emocione? Quem é tão pecador, que não queira aproximar-se de Deus? Quem é tão insensível, que não sinta, nesta Noite, o desejo de amar, o desejo de ser bom, o desejo de paz, o desejo de se deixar abraçar por Deus? “Não tenhais medo!” Quem quer que sejas tu: não temas! Não tenhas receio pelos teus pecados, não te afastes da graça desta Noite por causa das tuas infidelidades! Compreende: hoje, teu Deus vem a ti! Vem a ti a Paz, vem a ti o Perdão, vem a ti a Misericórdia, vem a ti a Plenitude do teu coração e o sonho da tua vida! Hoje nasceu para ti, para nós, um Salvador!

            Presta bem atenção: porque tu és fraco, ele veio sustentar-te; porque tu és inconstante, ele veio permanecer contigo; porque tu muitas vezes não sabes o caminho, ele se vez visível na nossa carne; porque tu vives em trevas, ele apareceu como luz; porque tu não podes subir a Deus, ele desceu para te elevar! Que amor tão grande, que caridade sem medida! Nesta Noite a Virgem deu à luz o próprio Deus na nossa humanidade mortal!

            Por isso a alegria da Igreja, por isso, a exultação! Abramos nosso coração, abramos nossa vida, nossos afetos, nossos sentimentos, nossos projetos para o mistério desta Noite. No século V, são Leão Magno, Papa de Roma, dizia ao povo na noite de hoje: “Hoje, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos! Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida!”

            Mas, estejamos atentos: porque Aquele que vem como luz no meio da noite, vem pobre, humilde, pequeno, frágil... e somente poderá ser reconhecido se estivermos atentos: atentos aos seus sinais, atentos às coisas pequenas, atentos aos irmãos mais frágeis, atentos ao que no mundo parece a toa, sem valor, sem importância, sem poder... O Menino somente pôde ser encontrado e reconhecido pela pobre Virgem Maria, pelo humilde José, pelos desprezados pastores... Os soberbos, os prepotentes, os esbanjadores, os orgulhosos jamais receberão a graça desta Noite!

            Então, ouçamos ainda as palavras do Papa são Leão; tomemos o seu apelo para esta Noite: “Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade! Não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição. Lembra de que cabeça e de que corpo és membro. Despojemo-nos, portanto, do velho homem com seus atos; e tendo sido admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne!” 

            Por tudo isso, concluamos como iniciamos, com as palavras da Liturgia da Igreja: “Hoje, a Paz verdadeira desceu-nos do céu; hoje, os céus e a terra espalham doçura; hoje, raiou o dia do novo resgate de eterna alegria, há muito esperado! Cantai ao Senhor Deus um canto novo; cantai ao Senhor Deus ó terra inteira... na presença do Senhor, pois ele vem!

            Feliz Natal a todos! Que reine no coração de todos a graça desta noite! Amém.

                                                                      +++++

                                       Missa da Noite do Natal do Senhor - II

Is 9,1-6
Sl 95
Tt 2,11-14
Lc 2,1-14

               “Alegremo-nos todos no Senhor: hoje nasceu o Salvador do mundo, desceu do céu a verdadeira Paz!”

                Estamos no meio da noite... Noite! Ela significa escuridão, frio, medo pelo que não se vê, solidão... Noite! Ela é negativa, tão escura quanto o mundo atual, com seu ceticismo, seu cinismo, com seu consumismo, seu ateísmo prático e cada vez mais proclamado aos quatro ventos, com sua barbárie terrorista e abortista... Noite do mundo, com sua auto-suficiência e sua prepotência, com suas famílias destruídas, com sua solidão, com sua imoralidade, com a multidão de seus motéis e suas mentiras, com seu mercado de religiões que alienam em nome de um Deus que liberta... É noite! Estamos no meio dela! Mas, escutai! Escutai: “O povo que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. Fizeste, Senhor, crescer a alegria, e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença! Porque nasceu para nós um Menino, foi-nos dado um filho; ele traz nos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz. Grande será o seu reino e a paz não há de ter fim... para todo o sempre. O amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar estas coisas!”

                Que palavras impressionantes, encantadoras, consoladoras! Palavras de fogo, de luz, que iluminam a nossa noite e enchem de esperança nosso coração! Dizei: quem é este Menino, esta criança com títulos tão pomposos, com destino tão impressionante, com missão tão encantadora? Certamente vamos encontrá-lo num palácio, coberto de fina seda, de ricos brocados, reclinado num berço de ouro cravejado de preciosas e raríssimas pedrarias, cercado de servos e pajens... Um Menino assim, só pode ser tratado assim! Mas, escutai o Evangelho! Que surpresa tão surpreendente! Escutai sobre o Menino; como nasceu, como veio, como apareceu entre nós: “Naqueles dias, César Augusto, o dono do mundo, o Bush do momento, publicou o recenseamento de toda a terra. Por ser da família e descendência de Davi, José subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, até a Cidade de Davi, chamada Belém, na Judéia, para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Completaram-se os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e o colocou no presépio, pois não havia lugar para eles na sala”. Caríssimos, como é possível um tal contra-senso? O Conselheiro admirável, o Deus forte, o Pai dos tempos futuros, o Príncipe da paz, nascido pobre, nascido de pobres, nascido entre os pobres, em circunstâncias tão pobres, tão imprevistas, tão absurdas, tão escandalosamente sem sentido? Como pode, tal loucura de Deus? Tal sabedoria de Deus, que nos desconcerta! Ó Deus, por que ages assim? Por que sempre nos surpreendes? Por que nos confundes? Por que superas e subvertes as nossas expectativas? Por que fazes sempre com que somente possamos te compreender e te reconhecer e te acolher se deixarmos a nossa lógica para abraçar a tua, se formo pequenos o bastante para nos deixar conduzir por ti? Ó Deus surpreendente! Ó Deus de Israel! Ó nosso Deus! Ó Deus que dispersas os homens de coração orgulhoso, depões do trono os poderosos e exaltas os humildes (cf. Lc 1,51s).

                Como pode? “Hoje, nasceu para nós o Salvador, o Cristo Senhor!” “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Cristo Senhor!” E, se o quiserdes ver, irmãos e irmãs, se o quiserdes reconhecer, adorá-lo, não vadas ao shopping center, às festas ricas, ao salão dos grandes do mundo! Não! Quereis encontrá-lo? “Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura!” E encontrareis também os pobres do mundo, pobres pastores misturados com anjos em festa! Encontrareis o mais vil e o mais nobre de mãos dadas no meio da noite, encontrareis o céu e a terra de mãos dadas, porque Deus veio ao nosso meio, Deus entrou na nossa miséria, Deus se fez um de nós, um como nós! Nesta Noite – Noite bendita, Noite santa, Noite que não dá medo, mas coragem, dissipa a angústia e traz a paz! – nesta Noite “o céu e a terra trocam seus dons”: é-nos dado participar da divindade daquele Menino que tomou para si a nossa humanidade!

                Ó irmãos, ó irmãs! Ante tal maravilha, ante tal mistério, ante tanta bondade do nosso Deus, que podemos fazer? Sigamos o conselho do Salmista – nós, e toda a criação: “Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Dia após dia anunciai sua salvação! O céu se rejubile e exulte a terra na presença do Senhor, pois ele vem!” Quereis mais? Escutemos o Apóstolo: “Caríssimos, a graça de Deus se manifestou nesta noite bendita! Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade”.

                Irmãos, irmãs! Quando sairmos da paz desta igreja, encontraremos o mundo ainda envolto nas trevas, numa noite escura, porque não sabe da Luz que brilhou nesta Noite santa. Amanhã, escutaremos ainda falar de atentados, violência, drogas, sensualidade, famílias destruídas, corrupção na política, impiedade. Semana próxima a televisão ainda tentará destruir o Evangelho, as revistas Veja, Época, IstoÉ, os jornais, ainda tentarão desmoralizar o cristianismo e a Igreja de Cristo... Eles não sabem que a Paz nasceu, eles não viram a Luz brilhar, elas não contemplaram o Menino que nos foi dado... Quanto a nós, saciados pela paz desta Noite santa, aguardemos com total confiança “a feliz esperança e a manifestação final do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Ele se entregou por nós no presépio e na cruz, para nos resgatar de toda maldade e purificar para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem!”

                Irmãos, irmãs! Nasceu-nos um Salvador! Alegrai-vos no Senhor! Feliz Natal! “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados!”

                                                     ++++++

 

                                   Missa da Noite do Natal do Senhor - III


              "A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens!” Esta palavra da segunda leitura desta Noite santíssima exprime o sentido da festa de hoje.

               Vinde, caríssimos, aproximemo-nos do Presépio! Para nossa surpresa, encontraremos, envolto em faixas, reclinado na manjedoura, Aquele que é a Graça de Deus feita carne, feita gente, feita um de nós! Que Mistério tão grande e tão doce!

               Andávamos perdidos, como tantos ainda hoje – cada vez mais, ainda hoje! Não tínhamos um sentido para a vida; éramos presos por nossas paixões, escravos de nossos desejos desencontrados, entregues aos nossos próprios pensamentos, que levam ao nada. Orgulhosos, seguíamos, cada um de nós, suas próprias idéias. Como os pagãos de hoje, pensávamos que éramos livres por fazermos o que queríamos e seguir nossa tênue e obscura luz... E, no entanto, éramos escravos de nós mesmos e de um mundo cego e perverso. Não sabíamos o que fazer com a vida, com a dor, com nossos instintos e tendências, com as feridas da existência; não compreendíamos o sentido do nosso caminho, não conseguíamos vislumbrar a estrada para a verdadeira felicidade e a verdadeira paz. O homem sozinho não consegue se vencer, não consegue se superar, não consegue se libertar... Nossa vida parecia, como a dos pagãos de hoje, uma fiada de futilidades vazias de verdadeira alegria e nosso destino seria a morte, vazia e sem sentido. Ainda hoje, tantos pagãos, nossos amigos e familiares, nossos distantes e nossos próximos, vivem assim! Ainda hoje, há tantas lâmpadas na nossa cidade e tão pouca luz!

                Mas, para nós, nesta Noite mil vezes abençoada, “a graça de Deus se manifestou”! Nós vimos a Luz, Aquela que é capaz de iluminar a nossa existência! Jesus – eis o mais doce dos nomes; eis o nome dessa Graça bendita! Vinde, vinde contemplá-lo! Ele veio para nossa salvação! Veio para nos arrancar de nós mesmos, de nosso horizonte fechado e estreito; veio para abrir nosso pensamento, nosso sentimento, nossa vida, abri-los à dimensão do coração de Deus, fazendo-nos felizes e verdadeiramente humanos! Não seremos nós mesmos, não seremos realizados, não seremos livres, a não ser abrindo-nos para ele! Acolhamos a graça e vivamos uma vida nova: “Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo, com equilíbrio, justiça e piedade!” Ele veio, irmãos, porque, sozinhos, não conseguimos encontrar a verdade de nossa vida...

               Caríssimos, cada vez mais o mundo cai na treva, no paganismo, na cegueira. Tocamos, mais que nunca, a descristianização, a dissolução da família, a propagação do mal, a desmoralização de toda moral, de toda dignidade, de todo valor verdadeiro, a difusão de um pensamento anti-cristão e contrário aos santos ensinamentos da Igreja de Cristo. Nesta Noite sacratíssima, quantos estão se embriagando, quantos adulterando, quantos, pelas emissoras de televisão, esbaldando-se em uma programação mundana, quantos, nesta Noite esplendorosa e doce, nem sabem que existe uma esperança, um sentido, uma mão de Deus estendida para toda a humanidade. Quantos, amados irmãos, dizendo-se ainda cristãos, vivem no pecado, aplaudem o que condenável pela santa Palavra de Deus, o que é vil aos olhos do Senhor; quantos, que se dizem cristãos e pensam e sentem e vivem como o mundo! Eis que a Graça de Deus, hoje nascida do ventre da Sempre Virgem, convida-nos à conversão, convida-nos a uma séria mudança de modo de viver. Não seremos cegos, se vivermos na sua luz; não seremos perdidos, se seguirmos seus passos; não viveremos na morte, se nos abrirmos para a sua vida!

                O Santo Padre Bento XVI, nos seus votos de Natal, apresenta-nos uma frase dos sermões de Santo Agostinho: “Expergiscere, homo: quia pro te Deus factus est homo” - “Desperta, ó homem, porque por ti Deus se fez homem!" E o santo Bispo de Hipona continuava: "Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá! Por tua causa, repito, Deus se fez homem. Estarias morto para sempre, se ele não tivesse nascido no tempo. Jamais te leberarias da carne do pecado, se le não tivesse assumido uma  carne semelhante à do pecado. Estarias condenado a uma eterna miséria, se não fosse a sua misericórdia. Não voltarias à vida, se ele não tivesse vindo ao encontro da tua morte. Terias perecido, se ele não te socorresse. Estarias perdido, se ele não viesse salvar-tee". Caríssimos, tomemos consciência de tão grande graça! No Menino que repousa no presépio foi-nos dada a força para sair do sono miserável de uma vida medíocre e vazia, de uma existência morna e sem elã. Desperta, ó cristão, porque hoje brilhou para ti a luz! Por ti, o Filho eterno fez-se um de ti! Até onde Deus está disposto a te mostrar o seu amor, a tirar-te de tua vida vazia! “Aquele que deu forma a todas as coisas recebe a forma de escravo; Aquele que era Deus é gerado na carne; eis que ele é envolvido em panos, Aquele que era adorado no firmamento; e eis que repousa numa manjedoura Aquele que reinava no céu” (Missal Gótico, Missa do Natal). Despertemos, caríssimos! Que nossa alegria desta Noite, que a paz que inunda o nosso coração transborde numa vida mais comprometida com o Cristo Jesus! Que nossa existência seja realmente conforme a santidade e a liberdade daquele que hoje nasceu da Virgem Santíssima! “Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz nos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz”. A ele a glória, pelos séculos dos séculos. Amém.

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Última atualização em Qua, 24 de Dezembro de 2014 16:56
 

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