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Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo – Ano C PDF Imprimir E-mail
Festas e Solenidades
Dom, 17 de Maio de 2009 00:30

Gn 14,18-20
Sl 109
1Cor 11,23-26
Lc 9,11b-17

A solenidade de hoje é celebração agradecida de uma Presença. A Igreja crê que na celebração da Ceia eucarística,

torna-se presente o verdadeiro, único e irrepetível sacrifício de Cristo, sua entrega amorosa por nós ao Pai num Espírito eterno. Cada Celebração da Missa é a ceia e ao mesmo tempo o sacrifício do Senhor Jesus, perpetuado no coração da Igreja e do mundo.
Mas, na festa de hoje, a Mãe católica quer chamar a atenção de seus filhos para a real presença de Cristo Jesus nas espécies eucarísticas do pão e do vinho consagrados. Sim, nelas o Cristo morto e ressuscitado encontra-se tão verdadeiramente presente, que ali já não há mais pão, não há mais vinho, mas o Senhor Jesus, Cordeiro glorioso e imolado, no seu estado de eterna imolação por nós.
Vejamos alguns aspectos desta realidade maravilhosa, deste mistério tão profundo.

 

(1) Como acontece esta misteriosa transformação das espécies eucarísticas no corpo e sangue do Senhor? Acontece na potência do Espírito Santo. Pela oração do sacerdote que, em nome de toda a Igreja suplica ao Pai que derrame sobre as santas espécies o Espírito do Filho morto e ressuscitado, o Espírito do Cristo pascal de tal modo apodera-se das santas ofertas, que as transforma, as transubstanciam no corpo e sangue do Cristo Jesus. Cumpre-se, mais que nunca neste mundo, a afirmação do São Paulo: “O Senhor (Jesus) é Espírito” (2Cor 3,18). Estejamos atentos: como as espécies eucarísticas, pela invocação do Espírito sobre elas, são tornadas corpo do Senhor, também nós, reunidos para a eucaristia, somos tornados pelo Espírito que “nos une num só corpo”, corpo do Senhor Jesus, que é a Igreja. Na eucaristia, está o coro do Senhor de um modo real, sacramental em intensidade máxima neste mundo. Na Igreja, de um modo não substancial, mas certamente real. Comungamos o corpo de Cristo e somos corpo de Cristo!

(2) Quando dizemos que o pão e o vinho consagrados são o próprio Cristo, devemos ter o cuidado de recordar que o Senhor aí está não somente de modo estático, parado, congelado. É o Cristo presente com sua história, seu amor, seu modo de viver como pobre, como aquele que se entregou totalmente ao Pai por amor de nós. O Cristo eucarístico é aquele que “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Comungar seu corpo e seu sangue é entrar neste caminho de Jesus, é ter em nós seus sentimentos (cf. Fl 2,5), é fazer nossas as suas opções, fazendo da existência uma pró-existência, uma vida doada ao Pai e aos irmãos. Quem comunga as espécies eucarísticas sem esse compromisso, peca gravemente contra o corpo e sangue do Senhor. Afinal, “O cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo?” (1Cor 10,16).

(3) Mas, além de nos unir a Cristo, a comunhão no seu corpo e sangue une-nos também aos irmãos, faz-nos um só corpo nele e com ele: “Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que participamos deste único pão” (1Cor 10,17). Por isso, é impossível comer deste pão e beber deste cálice permanecendo isolado, fechado em si mesmo, fugindo da comunidade e desprezando os irmãos. A eucaristia faz a Igreja, “é a comunhão que nos une a Cristo e aos irmãos, e nos convida abrir as mãos para partir e repartir o pão”.

(4) Já dissemos que este pão bendito e este vinho sagrado são o próprio Cristo. Mas que Cristo? Jesus simplesmente na sua vida humana? Não. Jesus simplesmente ressuscitado? Tampouco. Recebemo-lo como está nos céus: vitorioso, ressuscitado, mas, ao mesmo tempo, num estado de perpétua imolação. Ele é e será sempre o Cordeiro de pé como que imolado (cf. Ap 5,4) de que fala o Apocalipse. Ele é aquele que entrou no santuário do céu com o seu próprio sangue para interceder por nós, de quem fala a Epístola aos Hebreus (cf. Hb 4,14-16), ele é aquele que Estêvão viu de pé à direita do Pai (cf. At 7,55-56), é aquele “Jesus Cristo, o justo, nosso Advogado junto do Pai”, de quem fala São João na sua Primeira Carta (cf. 2,1). É este Jesus, plenamente presente no céu e, na potência do Espírito que enche o universo, plenamente presente nas espécies eucarísticas, que recebemos em comunhão. Assim, recebemos em nós o próprio céu, pois recebemos aquele que é o bem-querer do Pai e aquele que é a felicidade da humanidade e do mundo inteiro. No Cristo eucarístico, o céu e a terra se encontram.

(5) Há ainda um aspecto maravilhoso na eucaristia. O que eram estas espécies santíssimas? Eram pão e vinho com um pouco d’água... elementos deste mundo perecível. E agora, pela invocação do Espírito do Ressuscitado, o que são? São corpo e sangue do Cristo, são elementos que já antecipam maravilhosamente o mundo que há e vir, quando, em certo sentido, tudo será transfigurado e unido a Cristo, que será cabeça de toda a criação, para que Deus, o Pai, seja tudo em todos (cf. 1Cor 15).

Tudo isto está contido na eucaristia, que é Cristo, tesouro da Igreja. Adoremos este Santíssimo Sacramento, sinal de unidade, vínculo de caridade, sacramento de piedade. Graças e louvores se dêem a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento.

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Última atualização em Dom, 02 de Junho de 2013 17:21
 

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