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I Domingo do Advento – Ano A PDF Imprimir E-mail
Ano A
Dom, 24 de Maio de 2009 01:41

Is 2,1-5

Sl 121

Rm 13,11-14

Mt 24,37-44

 

Com esta santa Eucaristia, estamos iniciando o novo ano litúrgico de 2005. É este o primeiro Domingo do Advento, o tempo de quatro semanas que nos prepara para o Natal do Senhor.

Tudo, na Liturgia nos ajudará nessa santa preparação, na santa espera, cheia de esperança: o roxo significa a vigilância de quem aguarda, a moderação das flores ajuda-nos a concentrar nossa atenção naquele que vem, o “Glória” não cantado prepara-nos para cantá-lo como novidade na Noite Santa do Natal. Os sentimentos do nosso coração devem ser a vigilância, a piedade humilde de Maria Virgem, de José, dos pastores, de Simeão, Zacarias e Isabel, o espírito de conversão anunciado por João Batista, o sonho de um mundo “cheio da sabedoria do Senhor como as águas enchem o mar” (Is 11,9), como Isaías profetizou... Aproveitemos essas quatro semanas tão doces, que recordam a espera de Israel e da humanidade pelo Messias!

 

Nos textos bíblicos que a Igreja hoje nos propõe, o Senhor sonda as angústias e saudades do coração humano e nos fala precisamente da esperança: ele é o Deus que vem ao encontro dos nossos anseios mais profundos... Mas também nos exorta a vigiar, a nos preparar para acolher o Dom esperado. Aliás, é esta a miséria do mundo atual: busca a paz, procura a vida, mas não busca naquele que é a saciedade do nosso coração e a salvação da nossa existência. O homem tem sede e Deus, misericordiosamente envia-lhe a água, que é o Messias... e o nosso mundo não o reconhece; antes, renega-o! Vejamos se não é assim; recordemos a palavra do Profeta: “Acontecerá nos últimos tempos que o monte da casa do Senhor estará firmemente estabelecido no ponto mais alto das montanhas. A ele acorrerão todas as nações, para lá irão povos numerosos.. porque de Sião provém a lei e de Jerusalém, a Palavra do Senhor”. Vejamos bem: de Israel, Deus prepara uma salvação, uma luz, uma direção para toda a humanidade. O homem sozinho não encontra o caminho, por mais que teime em se julgar grande e auto-suficiente. À nossa pobreza, o Senhor vem com uma promessa tão grande. E, se o coração da humanidade acolher a salvação que vem, a luz que brilha, então, encontrará a paz: “Ele há de julgar as nações e argüir numerosos povos; estes transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices: não pegaram em armas uns contra os outros em não mais travarão combate”. Eis a promessa de Deus: dá-nos a salvação; eis o sonho do Senhor: encontrar uma humanidade que acolha o Salvador, dele bebendo a paz!

 

No nosso mundo, ferido, cansado, incerto... mundo que já não mais crê de verdade em nada, a promessa do Senhor é como um alento. Acreditemos, irmãos! Quão triste o mundo se os cristãos viverem sem esperança, sem certeza, sem ânimo, como os pagãos... Este Tempo do sagrado Advento quer levantar nosso ânimo: o Senhor, cujo Natal celebraremos dentro de quatro semanas, é o mesmo que virá um dia, na sua manifestação gloriosa! Nossa vida tem rumo e sentido. Vigiemos: “Vós sabeis em que tempo estamos! Já é hora de despertas. Agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite deste mundo já vai adiantada, o Dia vem chegando” – o Dia é Cristo, Salvação que Deus nos prometeu e nos preparou! Então: “Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz. Procedamos honestamente, como em pleno dia” – como quem vive já agora, durante a noite deste mundo, no Dia, que é Cristo-Deus: “nada de glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades. Pelo contrário: revesti-vos do Senhor Jesus”. Eis o modo de vigiar na noite deste mundo, eis o modo de testemunhar que esperamos, na vigilância, o Salvador que nos foi prometido e virá. É oportuno recordar que este texto da Carta aos Romanos, foi o que provocou a conversão de Santo Agostinho, lá no distante século V. A Palavra de Deus é sempre um apelo gritante e forte para nós! Que ela nos converta também agora!

 

A grande tentação para os discípulos de Cristo, hoje, é conformar-se com o marasmo do pecado do mundo, é viver burguesamente, uma vida cômoda e sem uma fé verdadeira e operante, sem aquela atitude de alegre expectativa por aquilo que o Senhor nos prometeu. Vamos nos ocupando e distraindo com uma vida fútil, dispersa em mil bobagens, esquecendo daquilo que realmente importa! Vale para nós a advertência seríssima do Senhor Jesus: “A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé”: Naquele então, todos vivam tranquilamente: “comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até que Noé entrou na arca e eles nada perceberam...” Como agora: vive-se na farra do paganismo, do consumismo, do relaxamento moral, de tantos absurdos contrários ao Evangelho... e não percebemos que haverá um juízo decisivo de Deus para nós e para o mundo, um juízo no qual o bem e o mal, o santo e o pecador, serão separados: “um será levado e o outro será deixado”... Triste de quem for deixado, triste de quem perder a companhia do Senhor, nossa paz! Pois bem: logo neste iniciozinho de Advento, a advertência do Senhor é dramática: “Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor! Na hora em que menos pensais, o Filho do homem virá!”

 

Então, enquanto o mundo dorme no seu pecado, na sua auto-satisfação, elevemos, humildemente nosso olhar e nosso coração para Aquele que vem: “A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meu inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera!” – Marana thá! Vem, Senhor Jesus!

 

 

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Mais uma vez, irmãos caríssimos, a bondade do Senhor nos dá a graça de iniciarmos um Ano Litúrgico com este sagrado Tempo do Advento. Como todos sabeis, nestas duas primeiras semanas das quatro que nos preparam para o Santo Natal, a Igreja nos recorda que o Senhor, que veio a Belém, virá no final dos tempos como Juiz, na sua bendita Parusia, isto é, na sua Vinda gloriosa. E é essencial, amados irmãos, que os cristãos nunca esqueçam isto: o Senhor virá, e o caminho da criação e a corrida da nossa vida neste mundo são uma peregrinação ao seu Encontro. Nada nem ninguém tem neste tempo, nesta existência, morada permanente: caminhamos para o Senhor, somos filhos daquele Dia bendito, Dia do Cristo Senhor! Sabemos que “a noite deste mundo vai adiantada e o Dia vem chegando”, Dia de luz, Dia de salvação, Dia no qual o Reino que Cristo plantou com seu piedoso nascimento, morte e ressurreição, haverá de se manifestar com toda a sua força e toda a sua glória! Por isso mesmo, como são belas as palavras da antífona de entrada, colocada no Missal para esta primeira Missa do novo Ano da Igreja: “A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado; pois não será desiludido quem em vós espera!” Eis a atitude do cristão diante deste Dia que vem, Dia que é o próprio Cristo glorioso: caminhar bem firme neste mundo com a alma elevada para o Senhor, sabendo que ele virá ao nosso encontr, e nossa existência é uma preparação para este momento – por isso mesmo a oração inicial desta Celebração eucarística pedia a Deus a graça de “acorrermos com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem”. Sigamos, portanto, meus caríssimos, sigamos o conselho do santo Apóstolo: “Procedamos honestamente; revesti-vos do Senhor Jesus Cristo!” Neste tempo entre seu Natal e sua Parusia, vivamos uma vida de contínua conversão: “Nada de glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades”, nada de egoísmo que nos fecha aos irmãos, nada de descaso para com os mais fracos e feridos desta nossa vida! Se vivermos realmente assim, com os olhos fitos nAquele que vem, conscientes de que caminhamos para ele e dele dependemos, tudo ganha um novo sentido, meus caros, e nós teremos uma verdadeira liberdade e maturidade diante dos desafios da vida!

Irmãos meus em Cristo Jesus, diante de tantos sinais de impiedade e desprezo de Deus e da dignidade humana no mundo atual, muitos de nós pensam que o mundo está perdido, parecendo uma nau sem rum; muitos talvez sejam tentados a perder a esperança e a não mais ver que o Senhor dirige a história humana. Não, caríssimos: o mundo foi definitivamente salvo pelo Senhor, o mundo caminha para o Cristo Jesus, Princípio e Fim de tudo – esta é uma certeza certíssima da nossa fé cristã! Neste sentido, como não nos encher de esperança e paz escutando as palavras de Isaías profeta, que falava pensando na vinda do Messias – vinda em Belém e vinda no final dos tempos? O que diz o Profeta? Que mistério anuncia? Que esperança suscita em nosso coração? “Acontecerá, nos últimos tempos, que o monte da Casa do Senhor estará firmemente estabelecido no ponto mais alto das montanhas. A ele acorrerão todos os povos. De Sião provém a Lei e de Jerusalém, a Palavra do Senhor.” Que significam estas palavras, meus irmãos? Esta Casa do Senhor colocada no mais alto dos montes é o novo Israel, a Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Espírito; esta Igreja, nossa Mãe católica, da qual vem a Lei (não mais a de Moisés, mas a lei do Espírito que dá vida, a lei do amor); dessa Casa do Senhor vem a Palavra, que é o próprio Cristo, anunciado na Liturgia e dado e recebido nos sacramentos! Como é impressionante, quanto é consolador escutar o Profeta anunciando que a esta santa Casa do Senhor “acorrerão todas as nações”. Sim, pois o desejo do nosso Deus é que, crendo em Cristo e recebendo o santo Batismo, “todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). O cristão não deve impor sua fé a ninguém, mas também não deve nunca deixar de anunciar com a palavra e testemunhar com a vida esta esperança que se encontra em Cristo Jesus, Salvador de todos e único Caminho da humanidade. É nossa missão de discípulos de Cristo: sermos seus missionários, sermos suas testemunhas, anunciando o seu santo Nome e a salvação que ele trouxe a toda a humanidade!

Pois bem, meus amados, caminhemos neste mundo como aqueles que têm esperança porque alicerçaram em Deus e no seu Cristo a sua vida! Como seria triste, quão grande seria a infidelidade nossa se, esquecidos daquilo que o Senhor nos promete e nos prepara, nos entregássemos a uma vida leviana, acomodada, morna, desatenta ao amor do Senhor e aos seus apelos! Como seria grave pecado de nossa parte simplesmente viver e pensar e agir como os outros, que sem conhecerem a Cristo, não têm esperança! Jesus nos exorta gravemente a que vigiemos, a que estejamos sempre atentos à sua Vinda: Vinda no Fim dos tempos, mas também aquelas vindas de cada dia, nos tantos apelos que ele nos faz!

Falando desta Vinda, que advertências tão sérias ele nos dirige no Evangelho deste hoje: “A Vinda do Filho do Homem, isto é, do Juiz de tudo, será como no tempo de Noé: “comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca” – em outras palavras: a Vinda do Senhor acontecerá no dia-a-dia de nossa vida, de modo que devemos viver à luz desse Dia, como filhos desse Dia! E mais: “Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado. Duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada e a outra será deixada”. Compreendeis, irmãos? Estarão trabalhando no campo ou moendo no moinho, fazendo coisas tão normais, tão pequenas, tão de cada dia, como nós... E, no entanto, o Senhor virá inesperadamente... E vede que este Dia será de discernimento, de discriminação, de separação: um será levado com o Senhor; outro será deixado longe do Senhor, na perdição!

Caríssimos, cuidemos de viver de tal modo que não sejamos deixados! Fiquemos atentos, não durmamos, como aqueles que não têm fé! Quem dorme? Dorme quem vive no pecado, dorme quem repousa na infidelidade, dorme quem justifica sua mediocridade espiritual, dorme quem não leva o Senhor a sério, dorme quem não rompe com as obras das trevas! Não durmamos: vigiemos! “Vigiai, porque não sabeis a que hora vem o vosso Senhor!” Que este santo Advento nos dê a graça de retomarmos a fé, o ânimo e o espírito de vigilância, para estarmos preparados para o encontro com Aquele que vem. Amém.

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Última atualização em Sáb, 30 de Novembro de 2013 23:37
 

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