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III Domingo do Advento – Ano A PDF Imprimir E-mail
Ano A
Dom, 24 de Maio de 2009 01:40

Is 35,1-6a.10
Sl 145
Tg 5,7-10
Mt 11,2-11

 

Homilia I

 

Este terceiro domingo do Advento tem um tema predominante: a alegria provocada pela vinda do Senhor. Por isso, a cor rosa, que pode ser usada como um roxo atenuado. Alegrai-vos (Gaudete!) – convida-nos a liturgia, inspirando-se nas palavras do Apóstolo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl 4,4s).

 

 

Mas, pensando bem: há motivos para alegria verdadeira, profunda, responsável? Ante as lutas e fardos da vida, podemos realmente alegrar-nos? Antes as feridas e machucaduras do nosso coração, é possível uma alegria duradoura e verdadeira? Ante as desacertos e desvios do mundo, é realmente possível este gáudio a que nos convida a Igreja, com as palavras de São Paulo? E, no entanto, o convite é insistente: Alegrai-vos!

 

Contudo, antes do convite à alegria, ao júbilo, à exultação, permiti-me um outro convite: pensemos na vida de frente, como ela é, para cada um de nós e para os outros. Faço este convite porque somente assim nossa alegria poderá ser realista e verdadeira. Não esqueçamos que há também uma alegria boba, tola, tonta, irresponsável, que brota da superficialidade ou da ilusão... Não é dessa que falamos aqui...

 

Pois bem! A nossa vida – a minha, a sua! - gostaríamos que ela fosse como quiséramos, gostaríamos de controlá-la, de garantir que tudo saísse bem para nós e para os nossos, para os nossos e para todos... E, no entanto, constatamos com pesar que não temos em nossas mãos a nossa existência. Que duras as palavras de Jeremias profeta: “Eu sei, Senhor, que não pertence ao homem o seu caminho, que não é dado ao homem, que caminha, dirigir os seus passos” (10,23). O mundo não é como gostaríamos, os nossos caros não são e não vivem como esperávamos e nós mesmos tampouco vivemos a vida que sonhamos... Nosso mundo anda estressado, as pessoas sentem-se sozinhas, meio como que perdidas, ante uma crise generalizada de valores e de sentido... Que caminho seguir? Que rumo tomar? Que valores são valores realmente ou, ao invés, mera ilusão? Conservamos ou destruímos o sentido sagrado do matrimônio e da família? O Governo Lula começa a dar os primeiros passos para legalizar o assassinato de crianças no útero materno – vamos concordar? Vamos ainda votar nos deputados e senadores de Alagoas que votarem a favor desse crime pagão? Vamos reeleger esse presidente, caso ele aprove esse crime hediondo? Castidade, honestidade, respeito pela vida, moralidade, são ainda valores? A vida é, deveras, estressante... E o Senhor nos exorta: Alegrai-vos! E neste Domingo de Advento, a Igreja insiste: Alegrai-vos! Alegrai-vos no Senhor! O cristão não tem direito ao desânimo, ao desespero, ao derrotismo... Alegrai-vos! E alegrai-vos sempre! Mas, alegrai-vos no Senhor! E por quê? Porque ele está perto! Não nos deixa nunca: ele vem sempre como Emanuel- Deus conosco!

 

Pensemos nas palavras tão consoladoras das leituras deste hoje! São para a terra deserta do coração do mundo e para o nosso: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e cresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores! Seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus!” Que cristão, que homem ou mulher de boa vontade não lamentam a situação atual da humanidade? Quem não sente na vida a tentação de fraquejar, e a mordida do desencanto? Quem, às vezes, não pergunta onde Deus está, que parece tão distante e ausente? Escutai: “Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é o vosso Deus: ele vem para vos salvar!’” É esta a esperança do santo Advento: a esperança num Deus que não nos esquece, não nos desilude, não nos deixa sozinhos... um Deus que vem ao nosso encontro no Santo Messias esperado! O profeta Isaías promete: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos”. E o que o profeta promete, o Senhor Jesus vem realizar: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobre são evangelizados!’ Eis aqui o motivo da nossa alegria: a certeza da fé em Jesus Cristo: ele é a presença pessoal de Deus entre nós, ele é aquele que cura nossas feridas, sustenta-nos na fraqueza, enche de doce presença o nosso coração solitário! Confiemos ao Senhor o mundo, a nossa vida, os nossos problemas, as coisas que nos preocupam. Lutemos e confiemos; lutemos e enchamos o coração de esperança no Senhor! A salvação que ele trouxe haverá de se manifestar um dia: “A Vinda do Senhor esta próxima” – diz-nos São Tiago!

 

As grandes tentações para o cristão de hoje são a falta de entusiasmo e de esperança, um cansaço ante a paganização do mundo e a teimosia humana... A conseqüência, é a falta de uma alegria verdadeira. Procuram-se cristãos alegres, cristãos convictos, cristãos radicais! Precisam-se urgentemente de cristãos apaixonados, cristãos de verdade, cristãos que creiam no que acreditam! Afinal, somente há alegria duradoura e profunda somente quando se encontra o sentido da existência, e este sentido nos é oferecido pelo Cristo; unicamente em Cristo! Esperemos nele: na sua palavra, no seu juízo, na sua graça! Ele não nos esqueceu, ele não está ausente do mundo e da nossa vida! Recordemos a forte exortação de São Tiago: “Ficai firmes até à Vinda do Senhor! Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a Vinda do Senhor está próxima! Irmãos, tomai como modelo de sofrimento e firmeza os profetas que falaram em nome do Senhor!”

 

O Advento não somente nos prepara para a celebração da primeira vinda do Senhor no Natal, mas nos convida a reconhecer suas vindas na nossa vida e a esperar com ânsia e compromisso sua Vinda final! Caminhemos, caríssimos, na alegria de quem espera com certeza: “Alegra-vos sempre no Senhor! O Senhor está perto!”

 

 

Homilia II

 

 

Caríssimos no Senhor,

Este terceiro Domingo do Advento é conhecido como Domingo Gaudete, isto é, Domingo “Alegrai-vos”. Com efeito, são as palavras do Apóstolo São Paulo (Fl 4,4s), colocadas no Missal para o início da Missa de hoje: “Alegrai-vos sempre no Senhor; o Senhor está perto!” Alegrar-se, mesmo nas lutas da vida e nas incertezas da existência, alegrar-se mesmo no duro combate deste mundo... Mas, alegrar-se não por uma alegria qualquer! Alegra-se verdadeiramente, alegra-se com a alegria que dura e edifica a vida, aquele que se alegra no Senhor! Ele sim, é a fonte da perfeita alegria, porque é o Deus que nunca nos abandona, Deus fiel, que nos ama e permanece conosco!

Dessa alegria fala o Profeta Isaías na primeira leitura de hoje: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão. Germine de alegria e louvores!” Que terra é essa, que deserto, que solidão? São o nosso mundo, o nosso coração, a nossa vida. Alegre-se o homem, espere cheio de esperança o nosso coração! Fortaleçamos nossas mãos enfraquecidas e nossos joelhos debilitados pelo duro caminho deste mundo! E por quê? Vivemos uma vida tão estressante, a luta pela sobrevivência é tão pesada, os conflitos nas nossas relações são tão presentes, o que vemos de desafios e loucuras no mundo atual é tão assustador, a impiedade da humanidade é sempre tão surpreendente! Temos mesmo motivos para nos alegrar, para esperar, para fortalecer nossas mãos e continuar lutando, firmar nossos joelhos e prosseguir caminhando? Sim, temos: “Vede! É vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para nos salvar!” Eis, meus caros! O Senhor vem para salvar, vem para vingar-se do pecado - e sua vingança é o amor que salva, o amor que liberta, e dá vida...

 

Mesmo que pareça o contrário, o mundo não é uma realidade sem sentido e sem rumo, a existência humana não é o um pesado fruto do acaso cego... Há um Senhor, há um Deus de Amor que tudo toma em suas mãos e tudo dirige; um Deus que não está distante, mas nos conhece pelo nome e inclina-se sobre cada um de nós! Há um Deus que não é frio e indiferente, mas nos visitou pessoalmente no Filho Jesus! Neste Jesus bendito, um dia o Senhor Deus tudo julgará, tudo colocará às claras, tudo vingará, tudo purificará, tudo salvará! É importante não esquecermos isso, pois um dos grandes motivos do esfriamento da fé por parte de tantos na Igreja é a perda da consciência de que o Senhor Jesus nos julgará e julgará toda a história humana: ele virá, ele julgará, ele consolará, ele colocará às claras, ele salvará! Seu juízo terá como critério o amor, amor a ele e, nele e por ele, amor e profundo respeito pelos irmãos... Portanto, “ficai firmes até a vinda do Senhor! Façamos como o agricultor que espera (espera porque cultivou!) e fica firme! Deve encher-nos de consolo a exortação de São Tiago Apóstolo: “Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. Tomai por modelo de sofrimento e firmeza os profetas que falaram em nome do Senhor!” Vede bem, meus caros: São Tiago nos exorta a permanecer firmes, nos avisa que o Senhor está próximo – e estará sempre próximo, desde quando partiu para o céu, nunca deixou de estar próximo... Mas, também nos convida a recordar que os que servem a Deus não estão livres dos combates e sofrimentos da vida. Pelo contrário, devem suportar combates exteriores e interiores! Combates não nos devem desanimar; dificuldades não nos devem esfriar a fé, decepções não nos devem fazer duvidar da providente presença de Deus na nossa vida e na vida do mundo!

 

Um belo exemplo de combate e fidelidade a Deus é-nos dado no evangelho de hoje. Pensai bem, meus amados no Senhor: um profeta tão grande, tão santo, tão fiel quanto João Batista! E aparece preso, abandonado, jogado numa masmorra, derrotado! – Senhor, por que permites? Senhor, por que diriges o mundo deste modo? Senhor, por que não defendes teus amigos? – João tem de suportar o combate exterior, tem de colocar no Senhor sua esperança, esperando na perseverança! Mas, há ainda um outro combate, pior, mais grave, mais doloroso: o combate interior. Onde aparece tal combate no evangelho que escutamos? Recordai que João havia anunciado um Messias forte e vingador; havia apontado Jesus como o Messias: ele viria para peneirar otrigo, viria para queimar a palha... E agora, na prisão, o Batista ouvira falar que Jesus era manso, misericordioso, compassivo... Jesus havia entrado na casa dos fariseus, sentado-se à mesa com os publicanos, perdoado mulheres pecadoras... João fica confuso: “Mas, não era bem assim que eu tinha imaginado o Messias!”... Manda seus discípulos perguntarem ao Carpinteiro de Nazaré: “És tu aquele que há de vir? És tu mesmo o Santo Messias tão esperado? Ou devemos ainda esperar um outro?” Eta, meus caros, que muitas vezes também temos vontade de fazer tais perguntas! Quando vemos os acontecimentos da vida, as coisas do mundo, o modo como vivemos, vem uma vontade de perguntar ao Senhor: “Mas, será que existes mesmo? Será que és fidelidade, que és amor, que te preocupas conosco? És tu mesmo a nossa esperança e a nossa vida? És tu o Salvador que a tudo dá sentido? Tu estás ou não no nosso meio? Tu és ou não um Deus próximo?”

 

A resposta de Jesus a João é clara e desafiadora: Ele é o Messias anunciado pelos profetas, com ele cumprem-se as palavras da primeira leitura de hoje: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo esse desatará a língua dos mudos!” Mas, ele não é um Messias de encomenda, não um Messias como nós desejamos ou pensamos! Ele é o Messias vindo do coração do Pai, um Messias surpreendente, um Messias que revela a própria ternura, a própria misericórdia de Deus! Para acolhê-lo, para compreendê-lo, para ver sua beleza é necessário converter-se a ele! Por isso, Jesus manda dizer a João: “Feliz aquele que não se escandalizar por causa de mim!” E João faz sua última conversão: crê em Jesus, aceita o Messias Jesus como ele é, como o Pai o enviou, e não como ele gostaria que fosse! Por isso João é grande, por isso é o maior dos profetas, por isso hoje se encontra na glória e na gratidão da Igreja! Também nós, irmãos, se esperarmos o Senhor, se acolhermos o Senhor, se não duvidarmos do Senhor, se no Senhor permanecermos firmes, veremos a sua glória, nele nos alegraremos e dele experimentaremos a salvação. A cor deste Domingo, além do roxo, pode ser o rosa (mistura do roxo do Advento com o branco do Natal que se aproxima). Vamos, alegremo-nos! Que a espera e a vigilância deste santo Tempo já se mistura hoje com a alegre expectativa do Santo Natal! Alegrai-vos sempre no Senhor! O Senhor está próximo! Que ele venha! Que ele nos encontre vigilantes! Que ele nos veja abertos de coração! Amém!

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Última atualização em Sex, 13 de Dezembro de 2013 16:57
 

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