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Sáb, 02 de Maio de 2009 20:44


Côn. Henrique Soares da Costa

 

            “Sofisma”, segundo o Aurélio, é um “argumento aparentemente válido, mas, na realidade, não conclusivo, e que supõe má-fé por parte de quem o apresenta”; “argumento falso formulado de propósito para induzir outrem a erro”; “engano, logro, burla, tapeação”. Permita-me, paciente leitor(a), apresentar-lhe três sofismas bem fresquinhos.

 

Sofisma 1

            Na polêmica em torno das experiências com células-tronco a custo do assassinato de embriões humanos, muito se disse contra a Igreja. O mesmo dir-se-á quando o Governo Lula tentar aprovar o aborto no Brasil (a questão das células-tronco foi apenas um ensaio). Mete-se a ripa na Igreja também quando esta se coloca de modo crítico quanto ao reconhecimento civil da união entre homossexuais como sendo um “casamento”. Acusou-se essa bruxa velha de medieval, obscurantista e de querer impor seus pontos de vista reacionários aos não-católicos e não-crentes. Pura lorota. A Igreja não está querendo impor nada a ninguém nem é contra ninguém. A questão é de outra ordem.

            Todas essas questões polêmicas são de ordem moral e dizem respeito ao modo como uma sociedade humana se compreende, se articula e delineia o seu futuro. Aqui estão envolvidas questões seríssimas: Que é a vida humana? Quando se inicia? Qual a sua dignidade? Quanto vale? Quem, quando e como deve protegê-la? Qual o sentido do sofrimento e da dor? Que é a família? Qual a sua função? Sobre quais valores se assenta? Qual a relação entre a família e o conjunto da sociedade? Qual o papel da família na geração e educação dos seres humanos, membros de uma sociedade e portadores de uma dignidade e de direitos inalienáveis?

            Note-se não se trata simplesmente de moral cristã, mas de uma ética que envolve qualquer ser humano decente e qualquer sociedade humana que deseje manter o mínimo de dignidade e responsabilidade quanto ao seu futuro. Ninguém pode ficar isento de tentar dar respostas a essas questões. E são questões que marcarão o destino e a qualidade de toda a nossa sociedade.

            Ora, a Igreja é portadora de uma mensagem, aquela de Jesus Cristo. Essa mensagem contém fortíssimas implicações morais às quais ela não pode renunciar sem ser infiel ao seu Senhor. É verdade que os cristãos não podem e não devem impor sua moral ao conjunto da sociedade, mas podem e devem manifestar-se e procurar fazer-se ouvir na busca da construção de uma ética civil, ou seja, um mínimo ético comum à grande maioria da sociedade.

            Em que se basearia tal ética? Na busca de auscultar a consciência, no respeito pelo mais fraco, na afirmação do valor inalienável da vida humana, na renúncia ao utilitarismo como critério último de ação e avaliação, na busca honesta da superação de um subjetivismo descomprometido com o bem comum e com o interesse da coletividade. São alguns critérios.

            Os nossos deputados, brincando de deus, aprovaram os experimentos que matarão embriões humanos. A Igreja continuará afirmando que não concorda. Não impõe seu parecer, mas dialoga e explica seus motivos. É seu direito e seu dever. Quem não gostar dela, paciência. Mas ninguém tem o direito de calá-la. É questão de ser fiel ao Cristo, não de ser popular ou agradar à maioria...

 

Sofisma 2

            O Fantástico, da Rede Globo, mostrou, no Domingo passado, uma pesquisa ampla para convencer que a Igreja não tem o apoio da Igreja. Explico-me: a Igreja oficial estaria sozinha na defesa de seus retrógrados princípios morais. A grande maioria dos católicos é a favor do aborto, dos preservativos, das relações pré-matrimoniais, da pesquisa com células-tronco embrionárias, do “casamento gay”. É a hierarquia que é quadrada e obscurantista. Eis o que a Globo quis passar.

            Convém recordar que a verdade não é questão de maioria. Para os cristãos, a Verdade é Cristo e vive-se na Verdade quando se vive o seu Evangelho. Ora, não é o Cristo que deve se converter ao mundo, mas o mundo que se deve abrir ao Evangelho. Quando Jesus disse ser o Pão da vida, a grande maioria dos discípulos o abandonou. Mas, o Senhor não fez pesquisa de opinião para mudar sua doutrina. Muito pelo contrário: “Vós também quereis ir embora?”

            Além do mais, católico não é quem diz que é católico. Católico é aquele que, com humildade e esforço, procura deixar seu pensamento mundano para abraçar o pensamento de  Cristo. O católico é aquele que vai à Missa aos domingos, que se esforça para viver o Evangelho, que se engaja na vida da comunidade dos irmãos em Cristo e que crê que a Igreja é conduzida pelo Espírito do Cristo ressuscitado. Esses católicos não são da turma que o Fantástico entrevistou, católicos de certidão de batismo, de missa de sétimo dia e de formatura. Porque a Igreja não é dona, mas serva da Verdade, porque não possui a Verdade, mas é por ela possuída, não voltará atrás por temor de pesquisas de opinião. Ela, nossa Mãe católica, somente deve ter medo de uma coisa: de ser infiel ao seu Senhor! Se a Globo – como a Veja, a IstoÉ, a Época e cia – pretendeu pressionar ou intimidar a Igreja, perdeu tempo, verbo e dinheiro...

 

Sofisma 3

            Após a aprovação da pesquisa que matará embriões humanos, uma “cientista” afirmou, triunfante, no Jornal Nacional: “Saímos da Idade Média para a era tecnológica!” Com tristeza, podemos constatar o seguinte: essa senhora não sabe um dedo de história! A Idade Média não é o que ela insinuou. Não é Idade das trevas, não é Idade contrária à razão, não é Idade contrária ao progresso. Somente os estúpidos, com vocação para papagaio – eterno repetidores do que não sabem – podem afirmar isso. Ainda com tristeza constatamos a ilusão de pensar que entramos, de salto, na era tecnológica porque vamos pesquisar assassinando vidas humanas. Os meios de comunicação têm criado um mito em torno das promessas das células-tronco embrionárias. Vamos ver o que a dura realidade mostrará... Pena que à custa de vidas inocentes... Mas, o mais triste mesmo, é essa “cientista” considerar um progresso louvável sacrificar vidas humanas. Pobre civilização, a nossa, construída sobre tais valores.

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